05/05/2009

Blogues na sala de aula

A professora de produção textual Cláudia Rodrigues testou em suas salas de aula do ensino médio uma nova ferramenta, já bastante conhecida pelos minimamen­te íntimos com a internet: os blogues ­uma página de internet com endereço próprio que seus usuários atualizam cronologicamente com textos e elementos audiovisuais. Em sua dissertação de mestrado, orientada por Denise Bértoli Braga, no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Rodrigues mostrou que a capacidade de discussão e de escrita de seus alunos teve grande melhora quando os debates em sala de aula passaram a se estender para os blogues.
A idéia surgiu da percepção de que, apesar de a escola ser bem equipada de aparelhos tecnológicos, a insuficiência dos professores em lidar com eles fazia com que o potencial de ferramentas como a internet permanecesse pouco explora­do. "Os alunos sabiam muito mais sobre recursos da internet que nós, professo­res", afirma Rodrigues. A professora então dividiu suas turmas em grupos e estipulou que cada um deveria criar um blogue onde se discutis­sem os temas tratados em sala. "Os alunos identificaram-se com aquele ambiente dinâmico e informal em que a discussão não era só com o professor", explica Rodrigues. Por meio dos posts (textos publicados no blogue) e dos comentários, os debates continuavam, não só entre os alunos, mas também com pessoas fora da escola. O fato de o blogue ser público contribuiu para que os alunos também lessem mais e se informassem melhor antes de discutir um assunto. "O professor deixou de ser o único leitor. Os debates ficaram mais embasados e os textos, mais bem elaborados. A possibilidade de inserir recursos audiovisuais também enriqueceu o material postado", relata a professora. Mas, para Rodrigues, os resultados mais inesperados e positivos da atividade foram à interdisciplinaridade e a intertextualidade das discussões. Os alunos começaram a confrontar os temas e pedir dicas e opiniões de professores de outras matérias, o que não era, a princípio, o objetivo da atividade.
Segundo a pesquisadora, a escola por vezes tem receio em trabalhar com a internet em decorrência da linguagem típica utilizada no meio virtual, com suas abreviações ('vc' em vez de "você", por exemplo) que vai de encontro a linguagem formal, característica das instituições de ensino. No entanto, mesmo sem uma orientação específica em relação à linguagem, nenhum dos 20 blogues cria­dos utilizou o 'internetês'. "Há diversos gêneros de blogues, entre eles o educacional e o aluno entendeu que era um blogue educacional e, por isso, a norma culta não foi suplantada pela linguagem da internet", relata. Os resultados da experiência de Rodrigues mostram que é preciso repensar o papel da internet na vida do estudante. "O blogue deve ser um espaço para o aluno e uma ferramenta para o professor, e a internet pode ser útil para todas as disciplinas", completa.

Bibliografia: Revista Ciência Hoje vol.43 março 2009 pág68

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